É normal pensarmos como concorrentes aqueles que são parecidos com a gente. No setor de restaurantes, geralmente enxergamos como concorrentes os estabelecimentos mais próximos, os que têm preços semelhantes ou os que são especializados no mesmo ramo culinário. Contudo, isso é só uma pequena – e, muito provavelmente, irrelevante – parte da verdadeira concorrência pelo consumidor.

A competição é hoje em dia bem mais ampla e generalizada pelo tempo, dinheiro, desgaste e deslocamento (que agora significa exposição, por conta da pandemia) dos consumidores, sejam eles de refeições fora do lar ou de entregas e retiradas. Isso quer dizer que o concorrente pode ser um restaurante de um bairro afastado que só faz entregas, as receitas fáceis de se fazer em casa, as refeições prontas do supermercado ou mesmo a opção do sofá e Netflix.
Por conta disso, seu restaurante não deve somente ser bom frente às opções de restaurantes próximos, da mesma faixa de preço ou de proposta semelhante. Ele tem que ser competitivo frente a todas as opções de estabelecimentos, alternativas de cozinhar, refeições prontas e outras opções de lazer, contato social e entretenimento.
Esse aumento da competição tem um lado ruim, é claro, pela perda de mercado e aumento da competitividade do setor, mas traz também uma importante lição. A proposta de valor tem que estar sempre bem alinhada com as preferências do cliente. Isso pode ser observado com o processo de reabertura em muitos estados.
Os restaurantes que não atenderem as atuais preferências do consumidor – que agora parece estar focado na segurança, seja nos estabelecimentos in loco, na entrega ou no takeaway – não vão conseguir retomar o faturamento no patamar de antes da pandemia. Os clientes que ainda não se sentirem seguros dentro de um restaurante vão continuar a pedir e retirar comida, assim como os que acharem essas práticas arriscadas vão continuar a cozinhar em casa ou comprar refeições prontas do supermercado.
O mesmo vale para as preferências que já estavam dando dor de cabeça aos restaurantes antes da pandemia. Os consumidores que não se sentirem estimulados a ter convívio social, não voltarão a frequentar bares ou restaurantes e continuarão a ficar no sofá assistindo Netflix.
Os negócios de food service têm somente duas alternativas frente a esse fenômeno de antissocialização: desenhar propostas de valor que incentivem a volta das relações entre as pessoas ao mesmo tempo em que atendem às novas preferências de segurança ou oferecer opções com cada vez mais comodidade e praticidade. Sem nenhuma dessas alternativas, todo o setor de restaurantes já sai perdendo na competição.
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